Sunday, March 18, 2007

diferença e repetição (fábricas e florestas)

uma máquina resfolega. fausto era um cientista golém, por isso tinha que lâmina nas guelras dos animais dentro deles oráculos ventre cheio. os bidões abandonados. florestas carregadas de campos electromagnéticos. e troncos caídos abaixo. o meu templo é a vontade e a violência. o que não são árvores são encruzilhadas. os bidões abandonados. mesmo que não haja caminhos. a floresta era um espelho com os seus ramos e de vento apanhado pelos ramos.
tirava bocados do chão a fórceps do próprio chão, como se fosse filhos dele sepultados na terra, ainda por nascerem, uma máquina resfolega, como se fossem estilhaços humanos a copularem com as fragas com o rosto de peixes mercúrio. e os troncos possantes e trágicos desapareciam para cima no nevoeiro.
ele tinha consciência da aragem e do minotauro de troncos no nevoeiro. também gostava de ver uma fábrica recortar um horizonte sinistro, nas árvores, enforcados com as asas tristes eram falácias entre as cordas e eu não conseguia voltar.
e o mundo é uma bola a girar pateta no vazio. em revolta revoluções convulso. tu és um instrumento cadáver, uma música morte. mar martírio para continuar a marchar como uma linha de montagem numa fábrica. o excesso de viadutos, e os fantasmas de operários martelando metais. uma fábrica a chiar aços até ao infinito. o excesso de viadutos.
chuva artificial fornalha metalurgia. como uma linha de montagem numa fábrica à trepidação das máquinas e reviram os olhos diferença e repetição.
cães manipulados por gente estrangeira, pessoas enterradas na planície, com bocados de fora, o enterramento na terra, uma máquina resfolega na sua auto-cópula mecânica, é gente metalurgia que nos mostra os ossos da boca a rir com árvores de cianeto e pássaros enforcados. esses eléctrodos nas têmporas, sensores afundados no esqueleto é uma pirâmide de sangue.
uma mistura de vários aparafusados como se fossem estradas penduradas na noite. o dramatismo da electricidade obrigatória e sempre um grande mal entendido. é necessário que haja o sacrifício do animal como se cianeto próprio.
inevitavelmente a sua cabeça desmorona-se sobre o papel. e os troncos possantes e trágicos desapareciam para cima no nevoeiro.
quando a obsessão do martelo e depois tropeçam no arame farpado, continuava a esfrangalhar as vísceras, a desamarrar músculos dos ossos. porque fausto é um laboratório, porque fausto é uma experimentação. os animais mineralógicos no mercúrio, uma fábrica a chiar aços até ao infinito.
o luar folhas de ferrugem reflexo no óleo da estrada pela humidade tornada floresta, a humidade que inchou o chão e se levantou do chão em árvores estão cobertas por uma fina pele de bactérias um horizonte sinistro
porque os animais e os minerais, as membranas das células chamavam fausto. as árvores de folhas embriagadas e o fogo a subir pelas serras como uma fornicação do inferno. e os troncos encharcados chiavam enquanto fausto procurava cativar aquelas energias. e troncos caídos abaixo. uma máquina resfolega.
floresta metástases como se cianeto próprio raízes radiações escondidas debaixo das pedras o que se passava com os astros e com os planetas o excesso de viadutos, os baldios e os bidões abandonados. e ouvem-se o ranger dos átomos a sofrer uns contra os outros.
- quero enforcar-me um rio como corda.

1 Comments:

Blogger amoralva said...

gostei muito, rafael. professor. meistre. é um texto muito bom, arrojado, diferente e inovador a nível da linguagem. estarei a falar bem?

não sei se concordas, mas fez-me lembrar um pouco o heiner muller. em alguns textos dele, também se nota muito a presença do diabólico e do industrial.

um abraço e até quarta
jorge

10:28 PM  

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