Montar um texto por partes articuladas que faz um todo maior.
Sunday, January 24, 2010
Montar um texto por partes articuladas que faz um todo maior.
Sunday, January 03, 2010
Tuesday, December 15, 2009
recitalinho
vou fazer um mini-recital de poesia "de minha autoria".
às 21.30 ou 22h (quejá não sei bem)
Poemas do Livro Inédito: "Escavações Arbitrárias".
A seguir há concerto dos "Presidente Drógado" YEH!
Sunday, December 06, 2009
antónio sérgio

faleceu antónio sérgio, o radialista, (que o ensaísta das notas de cinco contos já tinha marchado à mais tempo). fica aqui a minha modesta homenagem.
Os seus programas de rádio fizeram parte da minha adolescência, principalmente "o lança chamas" e o "som da frente". Ultimamente também ouvia, muito de vez em quando "a hora do lobo", e "viriato25" de que estranhava o nome comó caraças.
enfim. fica aqui uma mini homenagem. (só soube hoje, por acaso, mas enfim, isso não é o que importa).
Tuesday, July 14, 2009
apresentação na Guilherme Cossoul
Foi ontem (à bocado) no palco da sala de teatro da Sociedade Guilherme Cossoul,
e a Nélia e a Joana trouxeram imensa gente para assistir ficando
a sala repleta.
(estava naquela, ah, devemos ser meia dúzia de gatos pingados, sendo que metade dessa
meia dúzia seremos nós em cima do palco).
Uma sala repleta é sempre inspirador para falar
embora a Nélia tivesse muito nervosa antes de começar
depois acabou por lhe correr lindamente, lendo e explicando
a sua história numa boa.
A Joana explicou e leu também muito bem, sendo que não estava
nervosa (acho eu).
Estávamos no palco, com um maple e um sofá. e com um candeeirito
(o que, com as luzes apontadas, dá logo o ar de cena).
Primeiro apresentei as sinopses dos textos que elas fizeram,
sendo que as sinopses foram escritas uma pela outra (ou seja,
uma escreveu a da história da outra).
Antes disso li dois poemas, um da Safo e outro do Ruy Belo.
curiosamente, eu que não estava nada nervoso com a apresentação
quando comecei a ler os poemas fiquei nervoso e as mãos tremiam-me
como uma bananeira com paludismo.
A leitura, improvisação dramática, foi feita por elas,
dos textos delas. o total de tempo foi de uma hora e meia e
pareceu-me que o público não se aborreceu, antes pelo contrário.
Parabéns à Nélia e à Joana, foram fantásticas
e sinto-me muito realizado com o fim deste curso.
P.S. estava aqui agora a pensar comigo: afinal aprender a escrever é fácil,
é mais fácil que aprender a desenhar, porque para aprender a desenhar
é preciso papel e lápis, enquanto para aprender a escrever
só é preciso papel e caneta...
(LOL?)
Thursday, June 18, 2009
apresentação dos trabalhos
a aparecerem no dia 13 de Julho, segunda feira,
às 20horas, na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul
para uma apresentação oficial dos textos
produzidos e entrega dos diplomas
dos participantes do curso de escrita criativa
"construir a narrativa" ministrado pelo escritor
João Rafael Dionísio
por vezes certas aulas
Em algumas aulas acontece-me sentir um estalo na cabeça e as ideias estarem a fluir e o debate com as pessoas estar a ser muito interessante e estar a ver as pessoas muito satisfeitas.
Quando isso acontece parece que saio do meu corpo e fico a flutuar só ideias no espaço da sala (ehehhe, que exagero, mas enfim).
Obrigado, Malta
Labels: aula, satisfação
Monday, April 13, 2009
Cursos de Escrita Criativa

Segundas-feiras
das 19.30-22h.
120 não sócios
100 sócios
4 ,11, 18, 25 Maio
1, 8, 15, 22, Junho)
Filosofia deste Curso
O género narrativo, nomeadamente o Romance, é o género literário mais prestigiado desde o século XIX.
Este é um curso especial dedicado a elaborar um texto mais vasto Um texto do género narrativo. Os exercícios desenvolvem-se por módulos. Esses módulos são independentes mas com uma certa continuidade. O objectivo é construir um texto com alguma amplitude. Fazendo uma montagem gradual dos módulos de texto que vão sendo desenvolvidos na aula. Os módulos seguem uma estrutura que se baseia nas principais categorias da narrativa.
Objectivos do Curso:
· Melhorar a expressão escrita.
· Exprimir o mundo interior.
· Desenvolver capacidades narrativas.
· Ganhar capacidades ao nível da construção de uma estória.
· Aventurar-se a escrever com algum nível de complexidade.
· Tomar consciência das especificidades e estruturas narrativas.
· Montar um texto por partes articuladas que faz um todo maior.
A quem se destina:
A todos os que tenham interesse em desenvolver processos criativos no âmbito da palavra escrita, tanto numa perspectiva de desenvolvimento pessoal como na perspectiva de quem aspira a construir uma obra narrativa de algum fôlego.
Modo de funcionamento:
As aulas funcionam com breves exposições teóricas sobre vários temas narratológicos seguidos da apresentação de enunciados e da sua resolução e discussão.
Apresentação Final dos Trabalhos
Será feita uma apresentação final dos trabalhos efectuados ao longo do curso, numa sessão extra para o público nas instalações da Sociedade. Em data a determinar no princípio de Julho.
Será dado um certificado.
Friday, February 06, 2009
Novo Curso com novo Programa
R. dos Fanqueiros, 174, 1ºEsquerdo)
Curso/Workshop/Oficina/ Atelier
de Escrita Criativa
Pró-Primavera de 2009
por joão rafael dionísio
(9 aulas de 2 horas= 18 horas)
Quintas-feiras das 19.30 às 21.30
(de 26 de fevereiro a 23 de abril)
100 euricos
Filosofia deste Curso
O género narrativo, nomeadamente o Romance, é o género literário mais prestigiado desde o século XIX. Este é um curso especial dedicado a elaborar um texto mais vasto Um texto do género narrativo. Os exercícios desenvolvem-se por módulos. Esses módulos são independentes mas com uma certa continuidade. O objectivo é construir um texto com alguma amplitude. Fazendo uma montagem gradual dos módulos de texto que vão sendo desenvolvidos na aula.
Objectivos do Curso:
• Melhorar a expressão escrita.
• Exprimir o mundo interior.
• Desenvolver capacidades narrativas.
• Ganhar capacidades ao nível da construção de uma estória.
• Aventurar-se a escrever com algum nível de complexidade.
• Tomar consciência das especificidades e estruturas narrativas.
• Montar um texto por partes articuladas que faz um todo maior.
A quem se destina:
A todos os que tenham interesse em desenvolver processos criativos no âmbito da palavra escrita, tanto numa perspectiva de desenvolvimento pessoal como na perspectiva de quem aspira a construir uma obra narrativa de algum fôlego.
Modo de funcionamento:
As aulas funcionam com breves exposições teóricas sobre vários temas seguidos da apresentação de enunciados e da sua resolução e discussão.
Thursday, January 22, 2009
a fábrica dos textos
Ofélia Paiva Monteiro, "Ostinato Rigore": A Edição Crítica das Obras de Almeida Garrett", in AAVV, "Crítica Textual e Edições Críticas", CLP, Coimbra, 2006, p.40
Thursday, December 04, 2008
Tuesday, November 04, 2008
tertúlia
Depois... já sabem como funciona...
Tragam poemas e castanhas!!!
Todas as terças-feiras de cada mês
a partir das 22h
na Sociedade Guilherme Cossoul
Av. D. Carlos I, 61 1º andar
Sunday, October 12, 2008
excerto
Estava errado. A organização da frase, em última análise, era responsabilidade dele; era ele que devia ajustar contas com a coerência interna da língua escrita, com a gramática e a sintaxe, para captar a fluidez de um pensamento que se expande para fora de todas as línguas antes de se tornar palavra, de uma palavra particularmente fluida como é de um Profeta. A colaboração do escriba era necessária a Alá, desde que decidira exprimir-se num texto escrito. Maomé sabia-o e dava ao escriba o privilégio de concluir as frases; mas Abdullah não tinha consciência dos poderes que estava investido. Perdeu a fé em Alá porque lhe faltava a fé na escrita, e em si próprio como operador de escrita.
(...)
É na página, e não antes, que a palavra mesmo a do raptus profético, se torna definitiva, ou seja, escritura. É só através da limitação do nosso acto de escrever que a imensidão do não-escrito se torna legível, isto é, através das incertezas da ortografia, dos erros, dos lapsos, dos saltos incontrolados da palavra e da pena.
"Se numa noite de Inverno um viajante", de Italo Calvino (p.155),
(excerto escolhido por Vanessa Bernardo)
Tuesday, September 16, 2008
NOVO CURSO de ESCRITA
Curso/Workshop/Oficina/ Atelier
de Escrita Criativa
Outono de 2008
por joão rafael dionísio
(7 aulas de 2,5 horas= 17,5 horas)
120 não sócios, 100 sócios
Av. D. Carlos I , nº 61, 1º Andar, Em Santos,
Objectivos do curso:
· Despoletar a criatividade
· Melhorar a expressão escrita
· Desenvolver capacidades linguísticas
· Exprimir o mundo interior
· Partilhar saberes e cultura
A quem se destina:
A todos os que tenham interesse em desenvolver processos criativos no âmbito da palavra escrita, tanto numa perspectiva de desenvolvimento pessoal como na perspectiva de quem aspira a construir uma obra.
Modo de funcionamento:
As aulas funcionam com breves exposições teóricas sobre vários temas seguidos da apresentação de enunciados e da sua resolução e discussão.
Estrutura do Curso
I Parte (a palavra lúdica)
1) Apresentação. Brevíssima História da Escrita e do Livro. Interpretação de manchas tipo Rorschach. A proto-Frase. Exercícios de Escrita Automática.
2). Exercícios de Escrita Automática. Listagens. O Sintagma Nominal. Intersecção de Campos Semânticos.
3). Definir palavras. Léxico e Morfologia. Criar neologismos.
4). Fraseologia (Maximalismo e Minimalismo). Outros Exercícios.
II Parte (narrar e criar)
5). Interpretar as pessoas (imagens). Esboçar enredos.
6). Exercício de Percursos. A utilização de Arquétipos.
7). Narratividade e Personagem. Esboçar situações de enredo com ajuda da cábula da tipologia de Propp. Reflexões finais. Entrega dos Diplomas.
Thursday, July 10, 2008
Raul Vilar
Alguém me sabe dizer se Raul Vilar, personagem da "Loucura" de Mário de Sá-Carneiro, existiu mesmo? Ou era só um personagem do livro?
Obrigada
Thursday, July 03, 2008
Sunday, June 01, 2008
LANÇAMENTO DO LIVRO
Irá apresentar, se deus quiser, o ilustre escritor DAVID SOARES.
APAREÇAM vai ser uma bomba.
Friday, May 23, 2008
Monday, April 07, 2008
novos cursos mensais
por João Rafael Dionísio
Carcavelos Maio de 2008
aulas de 4 horas aos sábados `
a tarde
(no mês corente, abril, o curso esgotou a sua capacidade máxima de seis participantes)
Programa:
- 1ª sessão “Da imagem à palavra”
- Apresentação
- Interpretação de manchas tipo Rorschach
- Através de imagens ( Corto Maltese ) criar “argumentos” para as suas gráficas
- Coffee break
- A proto-frase
- Outros exercícios simples
- 2ª sessão ”Da palavra ao texto”
- Exercícios de Escrita Automática
- O Sintagma Nominal
- Coffee break
- Intersecção de campos semânticos
- Fraseologia ( Maximalismo e Minimalismo )
- 3ª sessão “Do texto à criação”
- Exercícios de listagens
- Exercício: “ As pessoas também são pessoas”
- Coffee break
- Exercício de percursos
- A utilização de Arquétipos
- 4ª sessão “Criação de situações e personagens”
- Tipologia da Intriga
- Situações e Personagens
- Coffee break
- Narratividade
- Através de um esboço de personagem (um detective de Fernando Pessoa), esboçar situações de enredo com ajuda da tipologia de Propp
Objectivos:
- melhorar a express ão escrita
- desenvolver capacidades linguísticas
- exprimir o mundo interior
- partilhar saberes e cultura
ESCRITA CRIATIVA – termo usado para distinguir diferentes tipos de escrita da escrita em geral, apelando sobretudo à imaginação. A falta de especificidade do termo é parcialmente intencional porque pretende abarcar para dentro do processo da escrita TODA A GENTE a que isso se disponha. Esta distinção é importante para separar a escrita criativa da escrita jornalística, da escrita técnica, jurídica, profissional ou outras.
Assim, a escrita criativa incluí mas não se limita a: Ficção, Drama, Poesia, Guiões, Escrita Auto-Exploratória, Autobiográfica, Géneros Híbridos…
Embora haja sempre quem argumente que o talento não pode ser ensinado é, no entanto, geralmente aceite que é possível partilhar técnicas e motivações que ajudam as pessoas a ter acesso à sua própria criatividade – técnicas como o Brainstorming ou a Escrita Automática.
O Atelier visa motivar e estimular os participantes a exprimirem-se através da arte da palavra escrita.
Notícia Biográfica
João Rafael Dionísio é um Autor que, além de vasta obra inédita, conta já com cinco dos seus livros editados, dois dos quais romances, tendo um sexto no prelo.
É licenciado em Estudos Portugueses e frequenta actualmente o mestrado em Edição de texto. Frequentou os cursos de Engenharia e Arquitectura, dedicando-se às Artes Plásticas durante algum tempo. Possui uma visão renascentista da Cultura – hoje em dia diríamos pluridisciplinar.
De há uns anos para cá tem ministrado vários cursos de Escrita Criativa em Lisboa, colaborando com várias entidades e tendo obtido, por parte dos participantes, os maiores elogios e satisfação.
Monday, March 24, 2008
Tuesday, March 04, 2008
Dúvida
Exemplo: modem de MOdulator/DEModulator, ou informática de INFORmação/autoMÁTICA.
obg
Xanda
Thursday, January 24, 2008
Adiamento da Escrita Criativa
Jantar de Escrita Criativa
Tuesday, January 22, 2008
jantar escrita criativa
TERTÚLIA DE LITERATURA
no GRÉMIO LUSITANO, passando o arco da rua Augusta, (a entrada é em frente à sex-shop)
a partir das 21horas até ...
pré-requesitos para frequentar a TERTÚLIA:
levar um livro e boa disposição.
Wednesday, January 16, 2008
novo curso 7 FEVEREIRO
Pode-se dizer que este curso tem dois ramos. O primeiro de jogos linguísticos que visam exercitar a agilidade verbal. O segundo dedicado à construção de textos articulados.
O curso é ministrado através de exercícios que são sinónimos de jogos (e vice-versa). Os exercícios são acessíveis a todos mas, no entanto, podem ser cultivados em complexidade e profundidade até ao infinito.
No entanto esta estrutura não é fossilizada. Ao longo do curso costumam surgir exercícios novos que se adaptam às questões que andarem na berlinda. Aliás tem sido sempre assim, o curso acontece em diálogo com as pessoas. E, regra geral, as pessoas têm gostado muito.
1) Apresentação. Através de imagens dadas, (Corto Maltese), criar "argumentos" para as suas acções gráficas. Outros exercícios simples.
2). O Sintagma Nominal. Intersecção de Campos Semânticos. Exercícios de Escrita Automática. Exercícios de Listagens.
3). A proto-Frase. Léxico e Morfologia. Definir palavras (exercício Humpty Dumpty)
4). Definir palavras. Exercícios com afixos (inventar palavras). Outros jogos linguísticos.
5) Fraseologia, (Maximalismo e Minimalismo).
6). Exercícios mais complexos: ("As pessoas também são pessoas")
7). Tipologia da Intriga. Situações e Personagens. Exercício de percursos. A utilização de Arquétipos.
8). Narratividade e Personagem. Através de um esboço de personagem (um detective de Fernando Pessoa) esboçar situações de enredo com ajuda da cábula da tipologia de Propp.
9). Exercícios com Som. (autores de Música Contemporânea).
O curso será em Alvalade, no Espaço Tuatara (R. do centro cultural nº)
Às quintas feiras, das 19.30 às 22horas
durante 9 aulas
e o mais se verá...
www.tuatara.pt
Friday, December 28, 2007
Mysterium Tuatarensis
Porém, ao longo da rua, reparo em algo inusitado: um manto luminoso envolve todas as portas da rua. Pequenas velas foram colocadas à entrada das lojas, iluminando a rua, já amarelecida pelo findar do dia. Talvez fosse uma pequena festa que os comerciantes da primeira geração decidissem fazer em louvor dos objectos antigos, da antiguidade deste país que já vai em oitocentas gerações de pedras. Entro na primeira que aparece.
Uma edição antiga d'Os Lusíadas entra-me nos olhos como se chamasse por mim. O que deseja? pergunta um senhor de olhos pequenos, com uma camisa branca estilo anos 60, bem retro. Caminha lentamente, como se o tempo tivesse terminado, quase em câmara lenta, pensando cada passo, decidido, mas prudente na inspecção da minha pessoa.
Nada, apenas olhar o livro. É tão antigo. É. Se o senhor quiser, posso mostrar-lhe uma coisa que tenho aqui atrás. Edições antigas de Herculano, Garrett, Fernando Pessoa. Quer ver?
Caminho de peito erecto, decidido, apesar de estar atrasado. Aliás, se calhar nem sequer iria à festa do Tuatara. É uma seca dançar com desconhecidos e ir a sítios apenas porque se vai. Decido acompanhar o dono da loja.
Caminhamos por um corredor estreito, até que, no fundo, vislumbro uma porta com um símbolo gravado no meio. Ele abre-a. Dá para um beco cheio de caixotes e caixas de papelão empilhadas. Pode sair. É aqui. Saio, com os olhos rendidos à maravilha que via. Dezenas e dezenas de volumes escancaram o pó perante o meu corpo indefeso. Até que ouvi um baque. A porta é fechada com um estrondo e, posteriormente, encerrada à chave. Mas que?... Não é preciso tanto. Grito. Não me feche cá dentro!...
Resignado, fico um bocadinho no beco, escrevinhando e tomando notas. Encontro, de facto, aquilo que queria, mas porque raio a porra do velho me tinha fechado a porta? Normalmente, fica encostada ou ligeiramente fechada ou um pouquinho aberta para deixar escapar as moscas... Decido inspeccionar o local, pouco recomendado para jovens virgens e estudantes saídos da universidade, desejosos que estão de ter um emprego estável e dinheiro ao fim do mês. Provavelmente, eu seria uma espécie de Johnny Depp caçador de tesouros e livros antigos. Roubo um de demonologia, que se insurgia para mim, levantei-me do chão e avancei para o interior do beco. No fundo, não visível anteriormente, diviso uma portada que anunciava um conjunto de degraus. Parecem intermináveis, enormes. Continuo. Afinal de contas, já que estou aqui, devo inspeccionar o local, que parece tão interessante e apelativo para um caçador como eu.
Grito, canto, ouço o meu eco, disperso os sentidos, escrevinho mais um pouco. Até que, de repente, quase tropeço numa lanterna que encontrei no chão. Fixe. Vou descobrir a passagem para o Reino dos Templários (com um rugido grunhento próprio de quem goza com o escuro). Finalmente, ao fundo, as escadas terminam e vejo uma porta. Aproximo-me. O que será que está por detrás dela? As obras do Metro? A casa subterrânea de algum rei esquecido? Um local para um ritual demoníaco? Talvez estas perguntas sejam apenas perguntas, mas o que me aflige é a minha curiosidade que se exacerbava, mesmo tendo em mente que poderia correr perigo. Abro a porta. Com a lanterna, ilumino a sala. Parece um claustro monástico, bastante antigo, mas um pouco frio. Muitos trapos velhos e velhos lençóis empilhados por todo o lado. Provavelmente, seria a habitação de algum monge eremita, que decidisse habitar debaixo da terra, assim como no Mosteiro dos Capuchos, em Sintra. Mas, não. Estamos na porra da cidade de Lisboa e ninguém vive debaixo da terra como um monge, muito menos debaixo de um prédio de 5 andares.
No meio da sala, uma mesa e um livro. Decido ler um pouco. O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Folheio lentamente as páginas, enfeitiçado pelo poder das palavras. É estranho, li quase toda a obra de Oscar Wilde, mas nunca me apeteceu ler este livro. Talvez, agora fosse o momento indicado para o fazer. Uma hora passa-se. Duas. Três. Li o livro, como se das páginas se fluísse um chamamento.
Quando o acabei, ouço uma voz que me sussurra aos ouvidos e quase me estremece o corpo. Vai para a passagem secreta. Levanto-me. Ao longe, vejo um pequeno túnel que se estreitava para a minha esquerda. Entro e, de repente, vejo ainda mais outro e mais uma porta.
Quando a abro, deparo-me com a maior surpresa de toda a minha vida: à minha frente, vejo aquilo que parece ser a minha imagem, mas bastante mais velho, com pequenos fios de cabelos brancos. Digamos dez anos mais velho, com a pele cansada e um pouco agastado. Pensei no que aquilo poderia ser: eu sempre me preocupei em descobrir a verdade, mesmo que tal me corroesse. Sempre me preocupei em olhar, ler, conhecer, revelar. Choro um pouco. Não quero ser (apenas) assim, não quero ser tão agastado e seco. Belo, mas seco e sem vida.
Quando toco naquilo que eu poderia ser, mas que ainda não o era, na minha cara rota de peles, ela foge. Grita.Para onde vais? Para onde vou, murmuro eu. Calo. Calo-me. Algumas palavras imperceptíveis de chamamento. Choro mais uma vez. Caminho mais uma vez.
Um pouco mais à frente, como que anunciando um vento forte, vislumbro uma outra porta. Já não me importo com o que venha. Posso morrer à vontade. Abro-a. Quando entro, vejo várias mesas de mármore e estatuetas espalham-se ao longo dos arbustos e das pequenas frondosas árvores. A estátua do Pensador, de Rodin, no centro. Aproximo-me.
O caminho anuncia uma larga avenida que dá para uma pequena torre lá à frente. Talvez seja um simulador de Paris, com o Pensador simbolizando tudo o que eu mais queria fazer: pensar, pensar, pensar. Corro, corro, corro. Aproximo-me da torre, cada vez maior, mas, ao mesmo tempo, serena. Abro uma pequena porta (mais uma! - estes locais são o paraíso das portas, só pode ser!) e subo por umas escadas em espiral. Subo, subo, subo, cada vez mais, cada vez com mais rapidez, mas com menos força. No final, uma porta verde e a entrada de um quarto bem mobilado, com móveis antigos e com livros nas estantes. No fundo do quarto, um armário e, por detrás, um pequeno cofre. Abro-o. E encontro um livro. Mais um livro. Que diz,
"dorme e sonha. Bem-vindo à tua própria torre".
Quando acordo, o velho olha-me, sobressaltado. Finalmente! Encontrou o que queria?
FIM
Thursday, December 20, 2007
animais parciais
o coração das conchas
um grito ao longe
o fogo numa caixa
três espirais?
ao meio dia, um deus
gente cansada no comboio
animais parciais
o mesmo quarto mas ontem
um poema fóssil
uma pata de uma animal longínquo
a praia tinha sol mas pessoas?
aquele mar maior
"segredos , sebes, aluviões"
o universo sentado
encontrar um livro
a atenção pescoço curvado
a rótula está dorida
uma ossada, um uivo
uma brincadeira?
lajes de pedra escutam-nos
sobre poesia
Bachelard, Gaston; La Poétique de L'Espace (p.190)
tombo vs tomo
tombo
de tombar
s. m.,
acto ou efeito de tombar;
trambolhão;
queda;
prov.,
espécie de armadilha de caça;
Brasil,
cachoeira alta, volumosa, em queda vertical.
do Lat. tumulu?
s. m.,
matriz de terreno;
arquivo;
registo de coisas ou de factos, relativos a uma especialidade ou região.
Torre do Tombo: arquivo nacional onde se guardam manuscritos antigos e documentos de maior valor histórico.
tomo | s. m.
1ª pess. sing. pres. ind. de tomar
tomo
do Lat. tomu < Gr. tómos, pedaço, fracção
s. m.,
cada um dos volumes de uma obra científica ou literária;
fascículo;
divisão;
fracção;
parte;
fig.,
valia;
alcance;
volume.
in www.priberam.pt
Wednesday, December 19, 2007
Wednesday, December 12, 2007
Tuesday, December 11, 2007
Os elementos são:
Estrada, Floresta, Vidro, Chave, Clareira, Lago, Animal, Casa, Muro
Eis o meu resultado:
Estrada às curvas direitas de pedras, plana, sem fim à vista, de pedras na estrada, mato nas bermas, mato não, ervas, mais ao lado árvores frondosas velhas, perde-se de vista, plano para lá das árvores, ao fundo muito longe algumas mais. Finalmente a estrada é interrompida por um caminho que acaba por levar a uma densidade de árvores... uma floresta que nem sabia ali existir. O sol aquece por entre as folhas, ouvem-se pássaros, passos mas silêncio. Tranquilo calor de silêncio quente.
Entretanto nesta envolvência, tropeço numa garrafa vazia de vinho, garrafa verde de um vinho qualquer. Suja de terra de floresta. Continuo a andar ao reparar em algo diferente de um tronco. Uma chave, grande, velha como as árvores velhas desta floresta velha, enferrujada, duas entradas, maior que a minha mão, pesada como uma pinha nova, que contaria ela se falasse? Meto-a na mochila. É boa para a minha parede da sala.
Surge uma clareira mais à frente, à esquerda, de meter medo. Parede redonda e densa de escuridão e folhagem que me ultrapassa a imaginação e me mata logo ali a curiosidade. Nem um passo mais.
Rapidamente me afasto passando uma pequena subida. Eis que surge um lago do lado direito, com uma luz esplendorosa a erradiar reflexos nas folhas, troncos, eu... rãs calam-se à minha presença. Logo chafurdam para as profundezas da água enquanto aguardam pacientemente, como quem não tem mais nada para fazer, que eu me retire do espaço que lhes pertence, que logo tomam conta ruidosamente mal eu lhes faço meia vontade porque fico escondida a ouvi-las “gritar”. Acabo por ceder completamente. Venho-me embora.
Mais à frente está um coelho a olhar para mim, a ruminar, sereno, impávido à minha presença. Parece que me olha nos olhos e me enfrenta, do seu baixo pedestal. Ignoro-o mas com certa relutância. Tem um ar um pouco maléfico do qual me afasto rapidamente. Contraiem-se-me os músculos de medo. Sinto-me parva pela razão.
- Olha, uma casa linda!
Aproximo-me mas com um formigueiro no estômago. Tem um ar abandonado mas uma casa já não pressupõe um simples coelho ou rã... mas algo do nosso tamanho e suficiente para nos enfrentar... parece ter sido deixada de repente. A loiça está a escorrer à janela de vidro partido, molas nas cordas, sem ruídos... deixaram de se ouvir os pássaros mas oiço as rãs o que me conforta de alguma maneira. Mantém-me presa à realidade. Estou calma porque ouço as rãs... mas atenta ao silêncio porventura absoluto.
Avanço devagar. Tem um portãozinho onde deveria ter sido um jardim. A casa tem 2 pisos. O de baixo está completamente vandalizado, portas fora, colchões queimados. O 1º parece intacto, subo as escadas para espreitar lá para dentro. Como pensava, quem não voltou, pensava mesmo que voltava em pouco tempo. Em cima de uma mesa enorme de madeira repousa um tacho com uma colher grande dentro... um casaco numa cadeira... um banco caído...
Ansiedade... rapidamente desço as escadas, contorno a casa e tento sair dali. Ponho-me ao caminho já sem saber porque alguma vez me pus a um caminho... já nem parece o mesmo. Já não oiço rãs já nem sei à quanto tempo. O coração dispara. Este caminho sobe, tem pedras enormes, obstáculos monstros que já não pertencem à mesma estradita. Já não há calor, nem luz esplendorosa, nem pássaros, nem rãs. Já só oiço a minha respiração difícil e as pedras a rolarem atrás de mim, passos dados, pedras atrás. Já não há arvores velhas mas novas e rebeldes, todas cruzadas, obstáculos em caminho que já não caminho e mesmo rápido não sei por onde vou quando de repente o maior obstáculo humano... encontro um muro à minha frente no meio da vegetação que nem consigo contornar e não vejo nada. O Coração quase me salta do peito e eu já não oiço mais as rãs!
Monday, December 10, 2007
Meditação sobre Kraft de Magnus Lindberg

(fotografia de Henri Cartier-Bresson, "Henri Matisse", 1944)
o fogo. a rebelião do fogo. o silêncio. escrevo um texto no sentido corrente do fogo. a tempestade. como um alarve de indumentária branca. baixo. fogo, as armas nos canhões.
diz a música nos trabalhos da guerra. mortos. pedaços de relógios assumindo o seu poder de morte. tento e calo-me. sou só eu. a nuvem branca, a branca paisagem no tiquetaque da penugem do corpo.
abro as mãos. e as formigas. sou o receptáculo da pele. batida. batida. coração. coração. abro. abro. abertura da ordem dos peixes. o tiquetaque da génese matemática. cala-te. o caçador engole-te a presa. e invoca o anjo e engole a seiva na vontade e no poder do fogo.
anima-te de sangue
e
anima a alma do bárbaro.
a selva. um dia. dois. o cavalo. dois cavalos. e a cabeça de um rinoceronte de barbas vermelhas. piano. um poema que segue admirando o funeral de um oboé. o violoncelo faz sexo com um trombone e cria a Metamorfose de Kafka virada ao cubo.
vermelho
preto
duas cores
atira uma pedra para a fuça de um pardal. queres matá-lo, eu sei. todos os dias são dias de sangue. é a guerra. já diria fausto. com os crocodilos à flor do lácio. e as pernas deitadas no amanhecer do caos de açúcar. já experimentaste fumar um cabide de pele? e engoli-lo. e saudá-lo como se saudaria César e um pombo com o esqueleto de um pardal.
sirene. sirene. ronco. ronco. ronco. a carga da brigada ligeira. os massacres de amritsar. um morto. dois mortos. três. quatro. quantos mais indianos morrerem, mais a Inglaterra será a rainha da civilização.
quero jogar ping pong. a bola. duas bolas. berlim ocidental e oriental. um muro separa as duas guerras. a da direita e a da esquerda. à frente ou atrás? pela direita de lugar nenhum, como o silêncio fosse só nosso.
Kraft das werk americanische. Bush lo sanguinaria che riconosche Mongo Santamaria as a very good piano player.
uma pauta de. Pan. o pandemónio do relógio que se esquece de dar as horas. so contrário, a direita, no silêncio e na escuridão. quero amanhecer. parece manhã. tenta descobrir Peer Gynt na melodia desta música.
talvez o amanhã seja apenas hoje. e hoje seja um dia como outro qualquer. pim. um pároco que se envaidece de olhar um violino agastado. para lá do outono e onde o cravo não ferra na definição religiosa do amor.
quero telefonar e tocar tamborete neste coreto sem qualquer ligação eclesial com a violência. quero um fagote. e uma bateria que se descuide. logo através do ronronar de um morcego adormecido de ódio.
os óculos olham e vislumbram que a tempestade se aproxima. o fogo. a treva. uma mulher nua na cama de pirâmides selvagens. auf. auf. faz o cão e as kraft der americanische autoren.
rómulo matou remo e comeu as suas próprias vísceras. Dioniso/Cronos/Odin no templo sagrado do Lácio invocando o fogo da pedra chã. e rasa. e sem forma. disforme. lamacenta.
atreve-te.
sugere.
rouba.
mata.
escreve um livro com as palavras dos livros.
um romance na ribanceira da alcova. e um cigarro aberto. que não apaga. e nunca se deita. para tu morreres de combustão permanente.
e sem fim.
rómulo matou remo. acercou-se de todos nós e pediu licença para vomitar.
Jorge Vicente
livro de estreia

Coemcei a ler o livro de António Brito, que será lançado nesta semana. Vou na página 30 e estou preso ao enredo. (as considerações abaixo expressas são provisórias e são inferências feitas a partir dessa amostragem).
O livro trata de um indivíduo que nascido na raia beirã acaba por ir parar a Moçambique para defender o Império dos portugueses.
O livro é contando na primeira pessoa, na decadência da velhice. Tem um esquema clássico de narrar que é o da analepse. No tempo presente alguém conta acontecimentos passados. O destinatário da mensagem não está realizado na narração por isso "conta" para o leitor. Basicamente tem dois grandes corpos de analepse encaixados. Tendo nós acesso a três tempos. O da narração no presente. O da ida para África e, nessa ida, a introdução de memórias mais antigas da vida e infância beirã.
Recordo que esquema em analepses acontece na literatura desde o Ulisses de Homero. Na corte dos Feaceos. Primeiro o Aedo Demódoco canta os acontecimentos da guerra de Tróia. E depois Ulisses conta as suas desventuras aos pais de Nausicaa (filha dos reis dos Feaceos). É a primeira grande estrutura em analepses. (excepto no Gilgamesh em que ao herói é contado o dilúvio. Mas essa é uma narrativa mítica que lhe é contada)
O enredo, para este livro, é o mais importante. Assistimos assim ao desenvolvimento da peripécia e da situação. Estando elegantemente bem escrito assistimos a um trabalho aturado do uso de metáforas e de comparações (que para Jackobson são dois aspectos da mesma figura de estilo).
O livro, quanto a mim, só tem um senão. É um livro que segue a grande tradição do romance ocidental, tradição esta que teve o seu apogeu no século XIX com os grandes romancistas. Este é um tipo de livros que é muito comum e apreciado pelo público que tem assegurado a fortuna do género romance.
A estratégia discursiva deste livro escapa a inovações ou aventuras narratológicas. Tendo a vantagem por um lado de ser estremamente claro e agradável de ler.
O género romance, no seu geral, opta por se apresentar com a maneira de contar oitocentista. Como se não tivesse acontecido o Ulisses do James Joyce, ou o Húmus do Raúl Brandão, ou tantos livros que inovaram nas estruturas mais fundas do romance. Um autor que retoma a tradição da inovação a estes níveis é, sem dúvida, o António Lobo Antunes.
Mas, o livro do António, dentro de uma maneira de escrever conservadora é perfeito. O que já não é nada, mas mesmo nada mau.
Parabéns António!
p.s. de qualquer das maneiras há um problema grave nesta minha mini reflexão sobre inovação e tradição. É que o pós-modernismo pôs em causa noções como conservador ou vanguardista. Essas distinções deixaram de fazer sentido. Quando começo a pensar nestas questões acabo sempre na dúvida não metódica. É o problema do nosso tempo: os sofistas triunfaram sobre as certezas platónicas. Quem ganhou o debate milenar foram os sofistas. Os sofistas tiveram a perder durante quase dois mil e quinhentos anos. E de repente estão a ganhar. e se calhar ainda bem para todos nós!
Thursday, December 06, 2007
Quarteto para o fim dos tempos - Olivier Messiaen II
http://www.amazon.com/gp/product/B000001G8W
violet (a continuar)

(imagem do filme Brown Bunny, com Vincent Gallo e Chloe Sevigny)
(a Vincent Gallo e Chloe Sevigny)
1.
vincent:
esqueço-me de ligar as portas do carro. elas estão presas ao pó que circunda o pátio da casa. vou sair. ligo o ar condicionado e espero que a rádio transmita aquelas palavras que, muitas vezes, repetem ao longo da manhã. bom dia. o trânsito está encerrado na estrada 43 e não é bom dia para passear. melhor seria ficar em casa e comemorar a solidão, olhando as pequenas folhas que teimam em se movimentar em pequenos círculos, como se puxadas por um cordel imaginário. lá fora, vivem as pessoas e o seu estranho ceptro de relações. ligo o carro e aperto o cadafalso à pedra. muita distância separa o teu corpo das inúmeras sensações que o prazer provoca, mesmo que este seja uma forma nada subtil de enganar a solidão. aperto-me ainda mais na sensação de ter de me movimentar estrada fora e admirar as mulheres que me pedem para adormecer numa gasolineira sem o mínimo de condições. É lá que vivem as mulheres que querem partir para a estrada 43 sem, ao menos, se importarem se estão despidas ou se são apenas aquilo que a rádio espera que elas sejam: as futuras estrelas do conglomerado urbano.
páro o carro. meto gasolina e vou embora. não. apetece-me levar alguém comigo, mesmo que seja inocente e não se possa deter na estranha forma das pessoas crescerem o corpo. nesta cidade, não existe dimensão nenhuma que seja de fácil percepção. tudo se resume ao modo como as pessoas fogem. a estrada é apenas o meio. E não o fim.
chama-se violet e tem nome de flor. e também do chakra que leva a deus. mas, talvez não seja isso porque deus não tem corpo e as flores não têm mais nenhum cheiro do que aquele que movimenta o ecossistema das plantas. apetece-me fodê-la. não a flor, mas a rapariga que tudo abarca e que tem o corpo junto à porta do carro. para onde partes. para a california. procurar ouro. não, os garimpeiros morreram quando o deserto ainda não existia e quando o jim morrison nem sequer promessa de poema. não faças o ouro, faz a carne e deixa que ela te apodreça. se tu apodreceres, foderei um cadáver e já poderei ser mais do que um homem. entra. ela entrou. escusado será dizer que não falámos nada. os meus pensamentos falaram tudo. nunca me dirigi a um cadáver mas a quem nunca tinha nada a perder, como eu.
levei-a a casa. fez as malas rapidamente apenas com o essencial. e partimos. nunca prometas nada que não possa ser cumprido, se quiseres podes cortar o mundo às postas e transformar o meu pequeno mundo numa selva de esperma e de calos. não falo nada. apenas penso. mas penso com o lado iluminado do meu rosto. olho a paisagem que se desenrola como um filme. ela adormece. a rádio ilumina as árvores que se estendem no limiar das casas. beautiful. gordon lightfoot. uma pauta no silêncio ominoso da paisagem americana. nunca é demasiado discreto pedir o amor quando ele só pode dar a solidão. aproximo a mão da pele e os olhos fecham-se e abrem-se. o olhar é uma flor desgastada que se abre quando pressionada pelo toque da pele. tudo se resume ao fogo do prazer e ao movimento da estrada.

(Vincent Gallo e Chloe Sevigny, Brown Bunny)
retiro o corpo para fora e páro o carro. o corpo e mais a pele. já é noite acendida e os carros movimentam-se como faróis no meio do mar e dos peixes. os peixes somos nós. que abrem a boca quando querem ejacular o líquido amniótico que se esquecem de escrever enquanto crianças. tiro as calças e deixo que ela engula o que restou de mim enquanto estive na casa. e o que sair será para ela uma forma encantatória de enganar a solidão. porque provavelmente o amor será apenas isso, quando engolimos e deixamos sair. e vomitamos. e voltamos ao estado do leite virginal. e deixamos que o corpo se relembre disso. até cairmos e termos a sensação de que acabámos com a inocência de quem queria apenas partir e não jogar o seu futuro nas estradas e nos corpos alheios. o corpo é só nosso quando perdoamos as nossas faltas. e se a solidão e o amor são o lamaçal da pele, nunca deixamos de ser cadáveres. e fodemos pelos nossos mortos como fodemos pelo nosso sabor metálico. mas lá estou eu a pensar. provavelmente, é mesmo amor, mas com uma diferente intensidade. a partilha da pele e do esperma. só a nossa inocência é que sabe.
2.
violet:
barbra fora levada. lembro-me como se fosse hoje, num cinema escuro perto da casa do meu pai. todas as entranhas violadas para que homens e mulheres pudessem provar do sangue e da carne por baixo da pele. não é fácil reconhecer o corpo quando ele se vomita no corpo dos mortos. tenho medo. a casa ao lado tem grades que a separam do mundo lá fora e poderão aparecer mortos vagueando, com um olhar feroz no interior dos calos e das botas grossas. chamo-me violet e vou a lugar nenhum, assumindo o papel de acompanhante ou de vírgula amorosa.
queres água?
quero.
já viste aquela casa?
foi onde filmaram aquele filme onde os mortos voltavam à vida e a transformavam numa alegoria da condição humana. não vais beber o meu sangue, pois não? prefiro que me alimentes de prana e de todas as coisas boas, mesmo que elas sejam apenas só tuas e não as possas compartilhar comigo.
queres água?
apenas a do mar. e a das ondas. é engraçado, nunca pensei num mar com ondas, apenas num extenso areal onde coubessem todas as conchas que pudesse apanhar. já apanhaste alguma concha?
as conchas não se apanham.
tudo se agarra e tudo se deixa agarrar. mesmo que não queiras. abre-me a garrafa. depois, deixo-te um pouco.
vincent bebeu um pouco e observou a casa que passava, ia passando.
Já imaginaste o que seria se nos pudéssemos reflectir nos mortos?
nós podemos. nós somos eles e eles somos nós. nunca te esqueças. por isso, nos identificamos e criamos empatias uns com os outros. e criamos deuses. e anjos. e figuras paternas que nos possam agarrar pelos cabelos e retirá-los um a um. não é só o prana que nos envolve, também a memória dos mortos. agora, passa-me a água.
3.
vincent:
a casa ficou para trás, marcada que estava por painéis publicitários que quase a destruíam. são os quartos e as paredes de néon, os cães de plástico, os castelos de brincar que ainda atraíam os olhares das crianças. mas, que crianças quereriam brincar numa casa que foi território de combate, onde vivos e mortos se mataram e renasceram outra vez e dormiram juntos, como se não fosse nada? talvez as envolvesse uma lua de prata, a essas crianças, evidentemente. uma lua de prata a que pudessem tocar e beijar com os seus belos olhos de faisão.
ou talvez atirassem pedras. talvez houvesse um movimento circular, como uma trincheira onde milhares e milhares e milhares de homens se guardassem e se escondessem como monges do império industrial. seja como for, não são os olhos com que a vejo os mesmos olhos que a construíram. os olhos que a construíram morreram no preciso instante em que escrevo a carne e atravesso uma paisagem sem pessoas e com painéis e com janelas de guardar,um pouco por todo o lado. talvez fosse mesmo isso: o lado iluminado da noite a reflectir a carne e o desapego imenso da classe dirigente deste país.
talvez na california faça frio ou o ouro do brasil se plante nas palmeiras que queimam a praia. tudo é ilusório e tudo é merda. mesmo se na estrada, o alcatrão pareça mármore.
4.
violet:
nunca te esqueças de passar as mãos pelos meus cabelos sempre que passarmos defronte da casa. ela é escura e visitada apenas por quem foge de algo. acaso estarás a fugir? ou serás um viandante que tivesse encontrado um pedaço de gelo no caminho e se divertisse a construir uma montanha no lugar da carne? eu sou mais do que uma montanha e tenho erguida em mim todas as memórias da minha família. sou de toda uma geração, aquela que se defronta entre si e que se repele constantemente, que se inocenta cada vez que qualquer coisa corre mal, que chora e que se deita aninhada num vagão de lume sempre que deus se ausenta.
o meu diário é o rosto do meu corpo e todos os meus pensamentos têm o prazer de serem meus. e não teus. podes foder-me sempre que quiseres.
as luzes dançam e o carro é uma paisagem pousada na ternura da madrugada. avistamos uma pequena clareira onde poderemos dormir um pouco.
ali?
ali
olho para trás e tento retirar o saco-cama da confusão de objectos e pequenas bugigangas de família.
diminui a velocidade, antes que qualquer coisa se parta.
sorri e deixei o saco-cama bem à mão. vincent parou o carro e encostou-o a uma velha árvore que adormecia vergada na terra. atrás, as luzes dos carros eram os piriliampos das cidades que sempre imaginámos, invisíveis no alcatrão da estrada secundária e na glória da grande noite americana.
5.
há que destapar a nossa violência e violentarmos o que de mais puro há em nós. por vezes, são pequenas coisas como um feto a boiar na orla das estrelas, sem saber se existem constelações que o possam acariciar. como a mais ténue das noites.
nessas noites, é a escrita velada aquela que mais signficado tem, uma espécie de vertigem virada ao contrário. a noite transfigurada pelo alcatrão de dois amantes que se movem por movimentos rápidos, circulares, acima, abaixo, fora, dentro, acariciando-se e sentido a energia que cai e que se fecha.
na clareira, estavam sentados um homem e uma mulher. conversavam. e olhavam as estrelas. no alto do céu, o que parecia uma forma humana dançava e voltava a fixar o seu olhar num ponto cá em baixo. uma forma humana, ou um quadro escrito pelo alcatrão e pelos desejos de alguém que perdeu todo o sentido da entrega. o homem e a mulher eram os dois pólos da existência. pai e filho. filho e pai. o mestre e a eterna discípula que choravam e eram movidos pelos movimentos do passado. o seu carro, estacionado junto do pequeno ribeiro que rodopiava um pouco mais à frente, já era velho e necessitaria, provavelmente, de reparações. mas, nada do que move e pára, necessita de reparações. só está doente quem se movimenta como um ciclista e não tem a humildade de parar e observar a tremenda paisagem que a noite encerra.
violet e vincent, ainda no interior do seu carro, observavam os seus novos companheiros. talvez fossem seus irmãos de sangue. ou de saliva. nada disso significaria alguma coisa de importante. o que interessava era que o caminho os tinha trazido à orla dos lobos.
6.

(fotografia de João Mariano, retirada de www.joaomariano.com)
violet e vincent aproximaram-se, como que aconchegados pelos candeeiros que, ao longe, desenhavam pequenas falésias ao longo da estrada. qualquer pessoa, por mais insignificante que fosse, poderia imaginar ter visto um pequeno raio de luz saindo dos olhos dos dois companheiros, mas era apenas a impressão de ter adormecido apenas por instantes, não desgarrando o tempo nem o alimentando com falsas promessas de continuidade. a pequena figura humana já não se encontrava no mesmo sítio, ou o que aparentava ser uma figura humana. já não dançava, apenas se limitava a aparecer e a desaparecer, soltando pequenos gemidos apenas audíveis a quem realmente acreditasse nela.
- ouviste?
- o quê?
- o grito
- não ouvi grito nenhum
- mas ele estava lá, eu sei que estava. ainda há bocadinho, estava a dançar ao pé de nós
- pai
- diz
- agarra-me um bocadinho
- está bem
pai e filha deram um abraço lento, mas intenso. só assim conseguiriam terminar a conversa e iniciar um longo período de silêncio, quase uma meditação. nenhum dos dois conseguia ver o que o outro via, tão próximos que estavam da essência do amor. a paixão, a amizade, o amor não conseguem ver o mundo na sua globalidade, apenas pequenos retalhos, pequenas saliências, pequenos momentos de intimidade que nunca permanecem no mesmo sítio. no entanto, o sentimento de unidade, mesmo que não visível, permanecia lá, intocável, imaculado. por essa razão, mesmo que não conseguissem ver o mundo segundo os olhos do outro, os dois amantes (qualquer amante), sentia que esse mundo já existia. e que, por ser real, já fazia parte da carne. não necessitava da confirmação pelos olhos.
7.
violet:
nunca tive uma casa que fosse realmente minha, apenas me emprestei a um determinado lugar, a um determinado espaço. nós não somos donos das coisas nem pertencemos a um tempo específico. somos o ponto adversário da existência, apenas existimos na medida exacta do nosso conhecimento. somos para os outros e apenas para os outros. mas, então, porque evocamos sempre o passado e passamos a mão pelas fotografias velhas quando, num recanto escuro da noite, invadimos a cave da casa dos nossos pais e fingimos que o oratório é nosso? inventamos um salmo dedicado àqueles que já morreram e que não têm a ousadia de dançar pelos céus, como o homem da clareira jurara. e continuava a jurar, mesmo que todos os seres do mundo o perseguissem e o comessem nos seus sonhos. tudo não passava de uma mancha. uma pequena nódoa escrita no palco da humanidade. e eu não pertencia a lado nenhum. apenas a mim mesma.
mas, porquê, então, abraçar o efémero e sujar-me de terra e fagulhas de pele, quando tudo o mais parte e não volta? porquê ligar o rádio e ouvir sempre a mesma voz inquietante, anunciando que a morte de dois amantes foi causada por um desejo terrível de sobrevivência. pretendiam fugir da cidade, aquela velha cidade em que a noite apenas parecia ser uma e onde os homens tinham uma força destrutiva maior que a sua capacidade de amar. só restava o desejo insconsciente de sexo. e olhar. olhar. olhar.
talvez devesse sentir que a paisagem em volta anunciava um novo mundo, ainda não refeito dos prédios que ficaram para trás, escondidos pela colina de Hentstow. Ainda dava para perceber o brilho, o rumor das cores e das ondas de rádio, a zona industrial perpendicular à auto-estrada onde seguíamos, as casas abandonadas, os barracões onde toxicodependentes, putas, homens de negócios, pequenas máfias e gangs de pretos se comiam e mostravam a sua glória de parasitas urbanos. tenho medo. tenho medo de morrer e ficar esquecida. como os meus pais. e todos os que permanecem nesta rocha saliente, que é a cidade onde resolvi crescer. entrego-me ao velho sonho americano de sondar a noite, descobrir se as ondas de rádio dão mesmo aquela sensação de alívio que o amor dá, descobrir se posso escrever uma nota pessoal e criar uma obra que me faça abraçar a humanidade.
home, sweet home. dorme bem. a noite é nossa e amanhã entregaremos o que ainda nos restar da pouca moralidade que ainda guardamos.
8.
a noite seguia perpendicular ao desejo das nuvens. violet dormia, encostada ao vidro já embaciado pelo frio da noite. o som rumor era ainda uma saliência, jazia lá embaixo, no infinito da estrada, onde nenhum homem habitava e onde a cidade perdia o seu gáudio de matrona da civilização. pode vir a chover. já chove. sonho todos os dias com isso. que a chuva é um aviso de mil tempestades inquietas. o outono dos peixes e das aves. o regresso de um tempo mais antigo onde nada coubesse nas folhas de papel. violet adormecia como se o vidro fosse pele, num local onde o corpo não chega, fechado que está pela treva da estrada. tudo era sem corpo e sem pensamento. o som rumor destruía a esperança e o pensamento. a luz caía lá fora. chovia e os anjos tombavam como cinzas.
- parece que vai chover.
- vai.
- ficamos aqui?
- para onde queres ir?
- para lugar nenhum.
- então dorme.
(a continuar)
Jorge Vicente
Tuesday, December 04, 2007
vinte e uma coisas
02. um rádio com música clássica nos seus circuitos ferrugentos.
03. dores musculares mas muito ligeiras.
04. quarto com graffitis nas paredes.
05. cortinas brancas.
06. o sonho de ontem.
07. um livro sobre símbolos.
08. migalhas de lenha no chão.
09. quadro vermelho de rosto pesado.
10. a deslocação do ar lá fora.
11. a morte a dormir no seu ninho.
12. saco de boxe pendurado com corrente.
13. ansiedade sem forma.
14. coluna vertebral.
15. guarda-fato de madeira altivo.
16. micro fungo entre os dedos dos pés.
17. a respiração a passar nas narinas.
18. uma vela acesa.
19. uma girafa de madeira sem cabeça.
20. o tecto pisado pelo tempo.
21. uma caneta com palavras diluídas na carga.
Friday, November 30, 2007
Blogar ao desafio

Senhores escritores criativos,
Ide ver ao meu blog laranjanacidade.blogspot.com o desafio que tenho para vós!
bjnhs,
Filipa
Labels: Desafio
Thursday, November 29, 2007
Não existem dados precisos sobre a origem do vidro. No entanto, sabe-se que já existia cerca de 3.000 anos antes da era de Cristo. A sua descoberta é atribuída a um acaso acontecido num país do Médio Oriente (Síria ou Egipto).
Considera-se vidro toda a substância mineral que à temperatura ordinária é sólida, mais ou menos transparente e, às vezes, translúcida. É o resultado da mistura de diferentes silicatos obtidos pela fusão e na qual predominam os silicatos alcalinos e o de cálcio.
100% Reciclável - O vidro é infinitamente reciclável.
Quer isto dizer que um recipiente de vidro reciclado possui as mesmas qualidades de um fabricado com matérias-primas virgens, independentemente do número de vezes que o material for utilizado.
Em Portugal a história não é muito clara, mas fala-se num aparecimento mais forte ou com produção de melhor qualidade desde à 100 anos apenas.
Thursday, November 22, 2007
A praia estava vazia
Tuesday, November 06, 2007
exercício
(N, V, N) de maneira totalmente aleatória
calcanhar andar sonho
rocha viajar deus
mar chafurdar livro
janela lareirar guardanapo
quadros votar frio
flor cheirar cão
enfermeira comer computador
pedro dormir candeeiro
girafa levar suicídio
cento ler nuvem
transacção electrificar lamiré
Monday, October 15, 2007
Esqueleto do Curso de Escrita Criativa Outono de 2007
Escrita Criativa é um termo que é usado para distinguir diferentes tipos de escrita da escrita em geral. O termo criatividade é importante para definir que estamos sob o signo da imaginação e da expressão pessoal.
A falta de especificidade do termo é parcialmente intencional porque pretende abarcar para dentro do produção de escrita toda a gente a que isso se disponha. Assegurando assim que atitudes não tradicionais (experimental, misticismo, ficção desregrada, arte bruta, etc.) não sejam excluídas de consideração e apreciação. Esta distinção é importante para separar a escrita criativa da escrita jornalística, escrita técnica, ou profissional. Estamos no domínio da Arte através da Palavra escrita. Estamos no domínio da criação de paisagens linguísticas. Estamos no domínio da projecção dos universos interiores para papel através de textos.
2. Quem é Rafael Dionísio?
Rafael Dionísio é um escritor multifacetado e minimamente conhecido. Publicou, além de variados textos em revistas e jornais, os seguintes livros de ficção: "Lucrécia" e "A Sagrada Família". Além disso publicou o livro "textos mais ou menos poéticos" e está no prelo os seus "Cadernos de Fausto". Recentemente concluiu mais um romance intitulado "algumas pessoas depois". Tem inúmeros livros de poesia inéditos e actualmente escreve uma peça de teatro.
É licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos e frequenta o Mestrado de Edição de Texto. Além disso estudou Engenharia, Arquitectura e Artes Plásticas sendo assim, pelo menos quanto aos interesses, um Humanista na Contemporaneidade.
3. Como são as aulas deste curso?
São dadas através de enunciados que visam estimular a autonomia criativa de cada um. Há um enquadramento teórico ministrado que visa balizar o próprio enunciado.
Depois gera-se um diálogo franco e espontâneo em torno dos objectos escritos alcançados pelos participantes. As aulas costumam ser muito vividas e participadas porque privilegia-se o espaço da manifestação dos participantes, tanto pela palavra escrita como oral.
Em cursos anteriores os participantes têm demonstrado satisfação tanto a nível intelectual como a nível vivencial.
Serão fornecidas folhas com os enunciados e fichas sobre algum aspecto teórico correspondente.
Há esta estrutura de base para um curso de introdução à escrita (com aulas de duas horas e meia), que é, no entanto, maleável.:
I Apresentação. Atribuição de características a imagens (Rorschach). Exercícios de Escrita Automática. Exercícios de Listagens.
II. Breve História da Escrita. Breve História do Livro. A Frase. O Sintagma Nominal. Intersecção de campos semânticos - Sintagmas Nominais Complexos.
III: Léxico e Morfologia. . Definir palavras (exercício Humpty Dumpty). Exercícios com afixos (criação de palavras).
IV. Poesia. Criar poesia e construir poemas. O discurso poético. Inspiração ou Trabalho Poético?
V. Personagem e Imagem. Através de uma personagem dada, (Corto Maltese), criar argumentos para as suas acções gráficas. Narratividade e Personagem. Através de um esboço de personagem (um detective de Fernando Pessoa) esboçar situações de enredo.
VI. Tipologia da Intriga. Situações e Personagens. Exercícios mais complexos. "As casas também são pessoas", "As árvores também são pessoas"
VII. Exercícios com Música. (autores de Música Contemporânea).
VIII. Exercício "no meio do caminho". Exercício de Micro Realismo. Reflexões finais.
mais informações em www.tuatrara.pt
Thursday, October 04, 2007
Thursday, September 27, 2007
Quando o telefone toca!!!

Sou uma moça de relógio biológico noctivago: gosto das estrelas e da escuridão, dos gatos pardos, do silêncio dos camiões do lixo a fazer a ronda, das sirenes das ambulâncias a cada 5 minutos, da criança da vizinha a esganiçar um choro infernal, das chamadas vodafone mega baratas em horário impensável de se ligar a alguém, dos conselhos da almofada, das mentiras da Lua, dos bandidos que se escondem nas esquinas e tudo e tudo!
Ora nestes caminhos tortuosos da noite, deparo-me com um fenómeno digno de ser observado por todos e qualquer um: um programa televisivo apresentado pela Lilina não sei das quantas do Big Brother, com um par de maminhas gentilmente cedidas pela Clinica Persona.
Uma artista dos directos, diga-se em abono da verdade!
Não é que a rapariga me aguenta uma hora a falar (com sotaque!)de rigorosamente NADA, interrompida aqui e além, por um qualquer empregado da securitas ou sujeito com insónias, que para meu grande espanto não acertam numa única palavra???!!!
Se é do sono, durmam e façam o favor de retirar as audiências a este atestado de estupidez!
Pois não é o meu espanto, que a SIC sentindo-se melindrada com este lider de aundiências, me vai prontamente colocar no ar, um programa similar, mas com a Pamela e a amiga morena, e um Calimero de óculos de massa!!!???
Mas o escândalo não fica por aqui!
Senhores telespectadores, espantem-se: estava eu à procura de uma imagem para anexar a este post, quando me deparo no Google, com o seguinte link:
http://quandootelefonetoca.hi5.com
A NÃO PERDER!!!
Onde andam os filmes de 3ª categoria quando precisamos deles!!!Hein???!!!
Labels: fenómenos
novo curso escrita criativa
começaremos no dia 24 de Outubro (quarta feira), durante oito sessões mas de duas horas e meia, das 19.30 às 22h. (brevemente no site da tuatara vai ser acrescentada mais informação).
o curso será coisa para 100 euros.
se souberdes de alguém que esteja interessado ou se vós próprios estejais interessados passai palavra, no primeiro caso, ou aparecei, no segundo
serrar o sonho
















