Thursday, March 08, 2007

Londinium (baseado em "Lisboa que amanhece" de Sérgio Godinho)

A alva que desce na cidade
sossega teu corpo murmurante.
Silêncio.

O sol que se desprende
dos cabelos, o murmúrio da voz que
se despede. Em prece. Promessas de
uma noite talvez distante.

Os olhos que se despedem do amante.
A alva na cidade a renascer. Tua voz percorrendo as calçadas.
Londinium seca, murmurando
a manhã que se quer assim, como dantes.
Como se o silêncio fosse vento ondulante.

O autocarro que dobra a tua esquina,
a pressa de chegar e de partir.
O vento que move teus cabelos,
o tempo que é mais do que um amante.
O vento. Alento.A Saudade da alva a descobrir.

Lá longe, na planície, os galos cantam.
Os poetas sonham a alva o sol que há de vir.
Os amantes, como névoa, murmuram
murmuram a noite por partir.

Londinium, lá longe, é sentinela.
Teu corpo encostado na janela.
A vela. Os olhos, os cabelos que murmuram sonhos vivos.
Promessas de uma noite a descobrir.

Teu corpo, em sobressalto, acorda.
O telefone entre o corpo dos amantes.
Serenos, como se uma noite fosse um
manto de rosas pretas, deitadas no olhar
agreste da cidade. A vida.Mais um dia a descobrir.

Teus olhos esverdeados são como a Lua.
Londinium no teu corpo a sorrir

Jorge Vicente

P.S. Tentem se recordar da música e cantem

1 Comments:

Blogger Laranja said...

Adorei Jorge!
Muito boa e muito actual:)
Parabéns!
Filipa

12:38 PM  

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